segunda-feira, 28 de maio de 2007

Paredes

Existem diversas formas de grades, algumas feitas de cimento e ferro, outras de sonhos e ilusões, de condutas morais tidas como certas. A primeira pode prender o corpo, mas não a essência, pois mesmo tendo o corpo aprisionado, podemos pensar com liberdade, transpondo qualquer combinação de cimento e ferro. Afinal poucos hoje tem o privilégio de não terem grades em suas casas ou viver na triste condição de passarinho engaiolado, em viveiros de vinte ou trinta andares, o que de certa forma nos coloca como prisioneiros, que desesperadamente maquiam essa simples realidade em nome de poder viver seguros.
Embora viva eternamente descontente com essa condição de prisioneiro isso não me impede de realizar minha liberdade de outras formas, assim como um pássaro com as assas cortadas e engaiolado pode sonhar com o livre voou em uma imensidão de azuis, nós imobilizados em prisões que chamamos de lar, podemos sonhar ou criar outros tipos de realidades.
O que realmente me angustia não são os pássaros que, mesmo engaiolados, vivem em liberdade, pois em seus sonhos o céu esta sempre presente, mas aqueles pássaros que mesmo desprovido de qualquer empecilho físico, vivem em uma única árvore esperando as migalhas de pão de uma senhora que descontente com seus semelhantes, vê na caridade com esse ser frágil e dependente sua única alegria.
Como esse segundo tipo de pássaros, são as pessoas, presas a grades morais, sempre submissas a condições que nunca refletiram, e mais; descriminam todos os que pensam de forma livre, tratando-os como pessoas levianas, sonhadoras que não entendem a realidade.
Voltando a falar de prisões, não é com celas de cimento e ferro que me preocupo, mas com celas formada por: religiões, condutas morais, posturas acadêmicas, movimentos sociais, e todas os outros infindáveis materiais que nos aprisionam de forma inebriante e sutil.
Com simples martelos qualquer pessoa pode derrubar paredes de cimento e ferro. Mas qual a ferramenta que devemos utilizar para destruir paredes feitas com um material que não podemos ver ou tocar?

domingo, 13 de maio de 2007

Grades

A eterna busca pelo belo
Confunde-se

Com a inevitável dor
Dos que vêem

Fruto de uma incondicional
Incerteza

Buscam a vida
Nos mais altos dos muros

Pois a prisão
É Chamada de lar

Não mais sentem
A essência do mundo

Perturbados, desconfiados
Crianças se tornam homens
Que durante toda sua existência
Só verão árvores através de grades

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Uma simples duvida existencial.

Qual o lugar que devemos ocupar nesse emaranhado de experiências que vulgarmente chamamos de vida?
Para a maioria das pessoas é uma pergunta desnecessária, pois ao nascer já temos toda nossa vida pré-estipulada (não pela fortuna), é só seguir a cartilha e pronto, vivemos “felizes” e “realizados” como bons fantoches que somos.
Só que, entre todos os bonecos e marionetes existem aqueles que são Pinoquios, que sonham em não serem mais bonecos e terem uma vida “real” na qual novas experiências são vivenciadas sem dogmas ou regras, uma existência em que sentimentos aflorem sem nenhum requisito moral, social ou econômico. Se para que isso ocorra temos que passar por uma Odisséia pessoal, enfrentando todos a nossa volta apenas pelo simples motivo de poder sentir aquilo que quisermos, que assim seja!
Sendo assim, a questão que se seque é:
Até quando agüentar?
Para aqueles que já não são de madeira, sabem que é difícil ser feito de sonhos e sentimentos, não existindo volta, pois como o primeiro homem a sair da caverna de Platão, nunca mais poderemos ser iguais a nossos semelhantes.
O leitor já deve estar entediado de perguntas retóricas que em si não carregam duvida ou contradição nenhuma. Mas para não continuarmos com esse socratismo, e justificar o titulo, ai vai uma pergunta real:
Como é possível viver como um boneco no fundo de uma caverna?






Menina Namorada


Mais que perfeita


Na constante miséria
Humana

Es a gota que...
Precede a Tempestade

Da felicidade

Pureza que só
A beleza revela

Paixão desnuda
Que o corpo queima

Sentimentos
Marcados a ferro na memória

Perfeição da forma

Nem passado
Nem futuro

Liberdade que...
Canta e dança

Coragem que...
Na luta se realiza

Menina namorada
Não mais gota
Mais a própria tempestade